Translate

Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?
Quanto a essa plebe, que nada sabe da lei, é maldita... (João 7.48-49)

domingo, 3 de abril de 2016

COM DEUS NÃO TEM BARGANHA


Se eu quero que ele permaneça até que eu venha,
que te importa?
Quanto a ti, segue-me.
- João 21.22
 Alguma coisa ele fez! Eu não mereço! Não é justo! Exclamações desse tipo ouvimos inúmeras vezes todos os dias. As pessoas pensam que as boas ações devem sempre ser compensadas com alegrias, e as más, sempre com aborrecimentos, apesar de constatarem na vida diária que as coisas nem sempre funcionam dessa maneira. Não é um problema dos tempos atuais, desde os primórdios os homens se esforçam por solucioná-lo.
O livro bíblico de Jó faz coro com sábios de todo Oriente antigo na busca de uma resposta. O protagonista é justo tanto aos seus próprios olhos quanto aos olhos de Deus, de modo que não consegue compreender a situação em que se encontra, que lamenta profundamente. Os amigos que vêm para ajudá-lo já têm a resposta pronta: Alguma você aprontou! E procuram convencê-lo por meio de longos e elaborados discursos. Finalmente, Deus toma a palavra. A quem dá razão? Ira-se contra os amigos, porque não dissestes de mim o que era reto. Não sem antes dar uma verdadeira espinafrada em Jó, como que para deixar claro que toda a justiça que alegara ter praticado não o tornava merecedor do menor favor divino: Quem é esse que escurece os meus desígnios com palavras sem conhecimento? Se decidisse restituir a fortuna de seu servo, como o fez, seria única e exclusivamente fruto de sua vontade livre e soberana.
Os evangelhos não conseguem dissimular certa ciumeira que havia entre os discípulos com relação à proximidade do mestre com João, o qual chega mesmo a referir-se a si próprio como aquele que Jesus amava. Foi o que levou Pedro a perguntar a este, referindo-se àquele, E quanto a este?, imediatamente após o mestre sugerir com que tipo de morte Pedro haveria de glorificar a Deus. Jesus limitou-se a responder: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, que te importa? Quanto a ti, segue-me.
É difícil aceitar. Parece injusto, aos homens. Mas a justiça de Deus consiste exatamente em distribuir gratuitamente seus favores e ela se manifesta entre nós sempre que alguém serve sem esperar retorno e quem recebe não é constrangido a pagar por isso. Sem barganha: já não haverá mais luto, nem pranto, nem dor, pois as primeiras coisas passaram.
Com Deus não tem barganha.
___________________________________________________________________________
Referências bíblicas:

Jó 38.2; 42.8; João 21.18-22; Apocalipse 21.4.
__________________________________________________________
Referências bíblicas: Jó 38.2; 42.8; Jo 21.18-22.

domingo, 27 de março de 2016

A crise à luz da PÁSCOA


Trabalhai, não pela comida que perece, 
mas pela que permanece para a vida eterna.
- João 6.27

É sempre temerário comparar fatos atuais com eventos bíblicos. Mas, paradoxalmente, a Revelação tem como propósito exatamente lançar luzes sobre o comportamento humano em todos os tempos. Sendo assim, temos de correr o risco. Afinal, que adianta se emocionar com as múltiplas encenações da Paixão sem aprender nada sobre a Vida?
O povo que recebeu a alcunha de plebe maldita percebeu que o Reino dos Céus estava próximo quando sentiu que suas necessidades básicas, cura e alimento, estavam sendo atendidas gratuitamente através dos milagres de Jesus. O evangelista João refere-se a esses feitos como sinais, do Reino. Algo semelhante vem acontecendo entre nós há pouco tempo, o que pode ser interpretado como a justiça divina alcançando os marginalizados.
Mas tais conquistas devem ser vistas, não como um bem em si, e sim como sinais de algo muito maior. Vai nesse sentido a admoestação do mestre aos que, alimentados no monte, atravessaram o lago no dia seguinte simplesmente atrás de mais comida: Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela que permanece para a vida eterna.
Assim como na Semana Santa, tais sinais sempre ascendem a esperança dos pobres e causam grande alvoroço entre certas autoridades, só que o personagem principal não está mais ao alcance delas. Por isso, em situações semelhantes, sempre se encontra alguém, necessariamente, para pegar pra cristo, como afirma a sabedoria popular, e entregar à execração pública, por evidente falta de motivos reais para crucificá-lo.

Cristo vive! Alegrai-vos!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

P A R E

É hora de relembrar minha postagem de 19 de fevereiro: Tempos difíceis.

Observando o que foi sugerido e proposto, chega-se necessariamente à conclusão de quão absurda e insensata é a ideia de iniciar um processo de impedimento contra nossa Presidente. Inúmeras são as razões que não o recomendam, mas uma só basta para que se pare com essa loucura, pois o simples ritual que deverá ser seguido causará muito mais danos ao país do que qualquer malfeito que o governo tenha porventura cometido. Não creio que nossa legislação seja tão ruim que, para corrigir um erro, o único caminho que ofereça seja cometer outro ainda maior.



domingo, 15 de novembro de 2015

É o fim


E será pregado esse evangelho do reino por todo o mundo,
para testemunho a todas as nações.
Então, virá o fim
.
- Mateus 24.14
Leia antes a postagem anterior: Não é o fim.
Boas razões para se arrepender tinham com certeza os dois filhos da parábola. E o mais novo aproveitou a oportunidade. Diante da alternativa de se alimentar das porcarias que os porcos comiam, se arrependeu, converteu-se, mudou de direção, tomou o caminho de volta para a casa paterna. Já o mais velho perdeu a ocasião, iludido com seus pretensos direitos e superioridade, ficou de fora da festa.
Quem está mesmo aproveitando a oferta anunciada são pobres, aleijados, cegos e coxos que frequentam as ruas e becos da cidade, caminhos e atalhos, onde os verdadeiros servos se aventuram para anunciar com atos a boa nova, levar a boa notícia. Quem não frequenta esses ambientes quase não fica sabendo, pois os verdadeiros mensageiros não são de tocar trombeta, e a grande imprensa, sedenta de más notícias, só vai lá mesmo para premiar dando visibilidade global aos sucessos dos bandidos e marginais que aí se refugiam, ou para caçar super-talentos que multiplicarão os lucros dos empresários dos mega-espetáculos.
Quando esse evangelho do reino tiver alcançado todos os becos e vielas, somente então, sem alardes e sem dar margem a polêmicas, virá o verdadeiro fim, como o relâmpago que sai do oriente e se mostra até o ocidente. Também nem dará tempo para se assustar, pois não será ameaçador, uma vez que, finalmente, a festa vai começar. Anjos serão enviados, agora sim, com grande clangor de trombetas, os quais reunirão os seus escolhidos, dos quatro ventos, de uma a outra extremidade dos céus.

Referências bíblicas:
Mateus 24.1-31; Lucas 14.21-24; 15.11-28.

domingo, 8 de novembro de 2015

Ainda não é o fim



E, certamente, ouvireis falar de guerras e rumores de guerras;
vede, não vos assusteis, porque é necessário assim acontecer,
mas ainda não é o fim.
- Mateus 24.6

Quando achamos que as coisas vão muito mal e que não podem piorar, mas, de repente, pioram, exclamamos: é o fim. Era como se sentiam os discípulos quando pediram a Jesus: Dize-nos quando sucederão estas coisas e que sinal haverá da tua vinda e da consumação do século. O mestre reconheceu que as coisas deveriam continuar mal por algum tempo, mas assegurou: não é o fim.
Hoje, vivemos situação semelhante e somos muitas vezes tomados dos mesmos temores, de modo que precisamos ouvir essas palavras que ecoam através dos séculos: não é o fim. O livro do Apocalipse, que discorre bem mais longamente sobre os últimos tempos, ensina que os dias de provação serão prolongados para que todos os homens tenham a oportunidade de se arrepender, até que seja pregado esse evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações.
E parece que isso está de fato acontecendo. Percebe-se uma grande movimentação de missionários em longas viagens internacionais, muitos frequentam as salas vip dos aeroportos e as primeiras classes das aeronaves, para não falar dos que possuem as suas próprias. Hospedam-se nas melhores suites dos melhores hoteis, quando não ocupam integralmente todas em sua convenções evangelísticas. Constroem enormes casas de espetáculos que chamam de templos ou catedrais, ou alugam grandes espaços para apresentarem seus shows, que chamam de louvor. Mas, considerando que Jesus havia advertido seus enviados a não levar bolsa, nem alforge, nem sandálias, a não acumular tesouros na terra, nem a ocupar os primeiros lugares, estes mais se parecem com os muitos falsos profetas que se levantarão e enganarão a muitos.
Por outro lado, percebe-se também a presença de mensageiros aparentemente mais confiáveis alertando: Arrepende-te, Jesus está voltando! Mas isso soa mais como uma ameaça do que boa notícia, boa nova, evangelho. E a advertência do mestre aos fariseus, saduceus e às multidões que saíam para serem batizadas, ainda são válidas: Raça de víboras, quem vos induziu a fugir da ira vindoura? Fugir da ira vindoura não é um bom motivo para se arrepender.
Continua próxima semana: É o fim.

Referências bíblicas:
Mateus 3.7; 24.1-31; Lucas 3.7.