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Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?
Quanto a essa plebe, que nada sabe da lei, é maldita... (João 7.48-49)

sábado, 10 de outubro de 2015

Estado laico 6


Parece que existe um consenso mínimo sobre o tema: estado laico é aquele onde seus cidadão gozam da liberdade e do direito de ter uma religião ou nenhuma. Mas essa liberdade e esse direito são inerentes a qualquer estado democrático, e o adjetivo laico seria perfeitamente dispensável.

A questão tem evidentemente a ver com o relacionamento do estado com a religião a nível institucional. Neste aspecto, temos que deplorar os momentos em que aquele se associa com organizações religiosas para se beneficiarem mutuamente, em detrimento do bem comum. Mas não podemos minimizar os enormes benefícios que estas tem proporcionado à humanidade nos campos da saúde, da educação, em seu sentido mais amplo, e ao serviço social em todas suas formas, trazendo o próprio estado a reboque.

Do mesmo modo, tem a ver com a prática de rituais e a exposição de símbolos religiosos em espaços públicos. Também evidentemente, ao estado compete regulamentar o uso destes em prol do bem comum, mas nada justifica que sofram qualquer tipo de restrição simplesmente devido à sua natureza religiosa.

E costuma-se designar o religioso de crente, pois a fé ocupa lugar central em matéria de religiosidade. Mas nem todo o crente pertence a uma organização religiosa ou pratica algum ritual dessa natureza, embora chegue mesmo a incorporar seus valores. E se pensarmos a fé como aquilo que anima uma pessoa a viver, e mesmo a morrer, temos de aceitar que todo homem, todo cidadão possui algum tipo de fé, algum tipo de religião, que embala inclusive sua postura cívica. E o próprio Deus o inspira, sem se importar se acredita nisso ou não.

Afinal, pode-se escolher ter uma religião ou nenhuma; o que não se pode é escolher a Deus, pois, antes, ele mesmo já escolheu o homem (Leia "O que é Deus?").



domingo, 4 de outubro de 2015

Estado laico 5


O que dificulta o debate da questão, e impossibilita até mesmo o estabelecimento de qualquer norma a respeito, é que nem os homens públicos nem os religiosos têm uma idéia clara tanto sobre a natureza da religião quanto a do próprio estado, nem existe um consenso entre uns e outros. O que é muito natural e saudável; desastroso seria se fosse diferente.

A França talvez seja o país onde o assunto venha sendo mais amplamente considerado. Lá, numa ponta, há quem ache que, num estado laico, a religião deveria se restringir ao espaço privado de cada indivíduo ou comunidade religiosa, como igrejas, templos, sinagogas, mosteiros, terreiros...; não poderia ocupar espaços públicos, inclusive na imprensa; nem opinaria sobre questões de estado. Na outra ponta, está quem pensa que implicaria em um estado que facilitasse e mesmo promovesse o diálogo entre as religiões e entre elas e a sociedade, incentivando as expressões religiosas que contribuíssem para o bem estar social.

No Brasil, de acordo com uma campanha veiculada pela mídia, significaria simplesmente que o estado não tem religião oficial, de modo que cada cidadão seria livre para escolher uma ou nenhuma, mas não há clareza sobre no que isso implica na prática. Há, entretanto, os que pensam que essa liberdade não dá a ninguém o direito de opinar sobre a crença do outro, ainda que respeitosamente, nem de se meter em questões de estado com base em suas convicções religiosas. Visão que parece difícil de encaixar naquilo que temos aprendido sobre o que seria um regime verdadeiramente democrático. 

sábado, 19 de setembro de 2015

Que livro é esse?

Oh! Dá-me esse livro!
- John Wesley
Que livro é esse que todos conhecem e se dão ao trabalho de levá-lo em consideração de alguma maneira? Os estudiosos sérios comparam os conhecimentos adquiridos em suas especialidades com o que ele diz ou aparenta dizer a respeito e, em geral, preocupam-se em emitir seus comentários. Os apenas letrados, incluindo os pouco alfabetizados, são com certeza os que mais o manuseiam, o lêem e o estudam. Até analfabetos o conhecem e o valorizam muito.
Talvez nenhum outro objeto de pesquisa tenha contado para sua elucidação com tanta diversidade de profissionais, entre eles: historiadores, geógrafos, geólogos, arqueólogos, paleontólogos, hermeneutas, linguistas, gramáticos, tradutores, físicos, químicos, astrônomos...
Não é um livro qualquer. Para início de conversa, contou com a contribuição de uma infinidade de autores, a grande maioria só identificada em linhas gerais, procedentes dos mais variados meios, culturas, e épocas, como sábios, sacerdotes, reis, historiadores, poetas, legisladores, boiadeiros e pescadores. Muitas de suas partes circularam na forma oral antes de serem postas na forma escrita. No caminho entre a origem de cada uma até a forma atual, foram aumentadas, modificadas, cortadas, reescritas, selecionadas, corrigidas pelas mãos que passaram, sempre com a intenção de melhorar sua forma. E os esforços para conservá-lo sempre atual continuam intensos em todos os níveis.
A humanidade se encontra em torno dele, nele compartilha seus conhecimentos e experiências espirituais, dialoga, aprende, se consola, se apoia, se anima. Ignorá-lo é viver noutro mundo. Até você sabe qual é. Não o despreze.

domingo, 13 de setembro de 2015

Estado laico 4

A idéia de um estado laico é bastante atraente. Mas nem por isso deixa de causar estranheza, principalmente entre os que valorizam a religião. É difícil imaginar uma situação que não tem precedentes na história. Mesmo depois que foi estabelecida a separação entre igreja e estado, os dois ainda continuaram convivendo numa proximidade apenas comparável ao matrimônio, ora em cumplicidade, ora em grande tensão. Nossos locais públicos estão de tal maneira impregnados com símbolos de diversas religiões, que recentes sugestões para retirá-los soaram como uma verdadeira amputação.
O próprio termo laico foi tomado do vocabulário religioso. Laico, ou leigo, é até hoje empregado para designar o crente comum, em contraposição ao clérigo, o sacerdote ou ministro ordenado. Foi por analogia que passou a ser aplicado às  pessoas que não possuem conhecimento aprofundado sobre qualquer área específica do conhecimento humano, ao contrário do especialista ou conhecedor.

É significativo também que essa designação provenha de uma palavra grega que significa povo, literalmente. Desse modo, muito apropriada para qualificar um estado democrático, onde todo poder emana do povo e em seu nome é exercido. Mas, existiria outro lugar onde a religião se sinta tão à vontade senão no meio do povo?


sábado, 13 de junho de 2015

Amor e sexo

...e eles se tornam uma só carne.
- Gênesis 2.24

Como foi seu Dia dos Namorados?
Pensem no que fizeram, ou desejaram, e meditem nas palavras deste clipe:


Recomendo especialmente estes quatro versos:

Amor é divino, sexo é animal.

Amor é para sempre, sexo também.

Amor sem sexo é amizade, sexo sem amor é vontade.

Amor é UM, sexo é dois.