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Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?
Quanto a essa plebe, que nada sabe da lei, é maldita... (João 7.48-49)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

OS MORNOS


... porque são apenas mornos,
nem frios nem quentes,
vou logo vomitá-los da minha boca
.
- Apocalipse 3.16
Independentemente das pedaladas, o que acontece hoje em Brasília é na verdade um embate entre dois projetos de nação para o Brasil diametralmente opostos. Embate que não se extinguirá com a decisão dos senadores, seja ela qual for e por mais importância que tenha.
Muito mais determinante serão certamente as próximas eleições municipais, quando os brasileiros terão a oportunidade de agraciar com seu voto os candidatos que comprovarem estar empenhados na construção do futuro que lhes convém. Infelizmente, em suas campanhas recém iniciadas, estes têm demonstrado pouca vontade em revelar abertamente até mesmo os partidos a que pertencem. Não é aceitável que venham reivindicar o voto soberano dos cidadãos e cidadãs sem declarar com clareza e defender com toda a honestidade o projeto ao qual colocarão a serviço os seus mandatos.
Hoje, salta aos olhos como nunca o que está verdadeiramente em jogo. Portanto, faz-se indispensável que cada eleitor e cada eleitora exijam essa postura dos candidatos que solicitarem seu apoio, principalmente daqueles nos quais têm votado eleição após eleição sem conhecer devidamente os reais compromissos dos mesmos.

Já é hábito os pretendentes a cargos eletivos ficarem em cima do muro durante suas campanhas demagógicas, até tomarem posse, quando então escolhem o lado que lhes ofereça maiores vantagens. Entretanto, os dois caminhos que estão diante da nação são tão antagônicos, divergem tanto um do outro, de modo que os separa não apenas um muro, mas um enorme fosso, um verdadeiro fosso sanitário. Os candidatos que não declaram com clareza o lado que escolheram revelam estar submersos nesse fosso fétido, restando aos eleitores apenas puxar a descarga. Estes, se aspiram privilégios, terão dificuldade em encontrar um pretendente honesto, e se absterão “por motivo de consciência”, indo fazer companhia aos mornos.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Política, negócios, CIÊNCIAS... E RELIGIÃO


Continuação da postagem POLÍTICA, NEGÓCIOS... E RELIGIÃO.

Religiosos poderosos seguidamente procuram inviabilizar ou desacreditar atividades científicas que possam relativizar doutrinas que fundamentam a manutenção de seus privilégios, mas muitas conquistas das ciências deveram-se também à inspiração religiosa. Santo Agostinho, bispo de Hipona, por exemplo, muitos séculos antes de Einstein demonstrar cientificamente a relatividade do espaço e do tempo, baseado em premissas teológicas, já afirmava que este último era uma propriedade do universo criado por Deus e não existia antes dele. Foi um padre, Copérnico, quem primeiro percebeu que a terra não era o centro do universo, pois gravitava em torno do sol; teoria que levou mais de um século para ser demonstrada pelos cientistas Kepler e Galileu. Gregório Mendel, o Pai da Genética, era monge agostiniano. Quem sugeriu pela primeira vez que o universo teria se originado em algo semelhante ao Big Bang, Georges Lemaître, também era padre.

A respeito dos muçulmanos, cito Dennis Overbye: Comandados pelo Corão para buscar o conhecimento e ler a natureza através dos sinais oferecidos pelo Criador... A língua árabe foi sinônimo de instrução e ciência durante quinhentos anos, uma idade de ouro que pode contar entre seus créditos com os antepassados das modernas universidades, a álgebra, os nomes das estrelas e até a noção de ciência como investigação empírica. No ocidente, vivia-se então a idade das trevas.

A religião, de fato, não se mistura com política, economia, nem com as ciências empíricas; as tentativas de fazê-lo sempre causaram muitos danos. Mas são igualmente inseparáveis, sob pena de também ocasionar muitos prejuízos. A religião constitui ao lado de cada uma dessas atividades o segundo trilho da ferrovia sobre os quais se apóia o trem da sociedade rumo ao seu destino, em todos os ambientes em que ele se move. Os trilhos não podem ser misturados; sempre juntos, devem manter uma distância constante; quando se aproximam ou se afastam demais, é desastre na certa. A humanidade não pode prescindir do esforço próprio da religião para harmonizar seu comportamento com a ação sábia e amorosa de Deus em curso, a fim de ser bem sucedida em seus empreendimentos, de qualquer natureza. É a via que busca apontar e acompanhar a sociedade ao destino mais seguro e pela rota mais confortável.

Além disso, a verdadeira religião move-se também em raia própria, missão para a qual ela dispõe dos requisitos: a formação do caráter das pessoas, em termos laicos. Ou melhor, convencer os indivíduos a preocuparem-se, antes de tudo, com o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, de boa fama, conforme as palavras do apóstolo aos filipenses. Do que mais carece o mundo em nossos dias, certamente, é que as religiões se dediquem com mais empenho nesse afã que lhe é próprio.


Referência bíblica:
Filipenses  4.8

sábado, 28 de maio de 2016

POLÍTICA, NEGÓCIOS... E RELIGIÃO


Discute-se amplamente hoje a relação política e religião. O sentimento geral é de que não devemos misturá-las, bem como com referência à relação desta com a economia. Os que atuam nessas áreas têm concepções distintas, ou nenhuma, sobre religião, o que dificulta grandemente o diálogo. Adotemos a que parece mais difundida entre as pessoas comuns e procede da etimologia do termo que a designa: religião = religação. Seria o esforço do homem em recuperar a harmonia perdida entre seu comportamento e a ação sábia e amorosa de Deus na criação e na manutenção do que existe, do que vive.

Temos de reconhecer que a maioria das práticas dos que se dizem religiosos, em todos os tempos, não condizem com essa concepção. Seus princípios são inventados ou distorcidos para servir a interesses individuais e de grupos, sejam políticos, econômicos ou de qualquer natureza. Mesmo instituições consideradas religiosas chegam a comportar-se como verdadeiros partidos na busca de espaço político; ou como empresas comerciais que se orientam pelas perversas leis chamadas de mercado.

Seus seguidores também não esperam que elas os ajudem a recuperar a harmonia de seu comportamento com a ação de Deus, de modo que não fazem jus à denominação de crentes e muito menos de fiéis. Buscam nelas as soluções e os benefícios que não lhes são oferecidos pelo estado, na pessoa dos políticos, nem são encontrados para serem comprados no mercado. Mas a relação com elas é semelhante, de súditos, de militantes ou de consumidores.

       Mesmo a história do cristianismo está repleta de exemplos horríveis desse tipo de comportamento, mas não podemos ignorar também a importante contribuição de organizações e pessoas cristãs, ancoradas em sua fé, para a preservação e o aperfeiçoamento da democracia, promoção e defesa dos direitos da pessoa humana, bem como na proposição e incentivo a práticas econômicas mais justas e includentes. O mesmo acontece com o Islã; devido à flexibilidade de sua doutrina, sua história está repleta de atrocidades praticadas em seu nome, mas também de formidáveis regimes pluralistas que inspirou, também protetores da diversidade e do intercâmbio em várias áreas.

terça-feira, 17 de maio de 2016

E Deus criou...

Então, formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra
e lhe soprou nas narinas o fôlego da vida, 
e o homem passou a ser alma vivente.
- Gênesis 2.7

Como você visualiza a cena descrita no versículo acima? Costumamos imaginar um velhinho de barbas brancas, vestido à oriental, ao lado de uma fonte de água, um rio, poço, ou simples cacimba, moldando um boneco de barro e depois soprando em suas narinas. Observe que todos esses elementos foram introduzidos por nossa própria conta; o velhinho, a barba, o vestuário, a fonte... não constam do texto. E essa imagem mais parece fazer parte de uma historinha infantil e talvez não corresponda à magnitude do evento.
Poderíamos igualmente descrevê-la de várias outras maneiras. Seríamos talvez ainda mais fieis ao texto sagrado se imaginássemos o Espírito que pairava sobre as águas, mencionado no segundo versículo do Gênesis, levantando a poeira do solo como um redemoinho e consolidando-a na forma de uma pessoa humana e, por fim, introduzindo um pouco de ar nos orifícios nasais. Estaria mais conforme a inúmeras outras ações divinas espetaculares de que temos notícia. Por outro lado, pode ser confundida como uma daquelas incríveis tomadas cinematográficas que ninguém leva a sério.
As ciências, por sua vez, descrevem o episódio formação do homem obedecendo a um processo bem mais complexo, pois não se concentram apenas na respiração, mas visam todas as funções vitais de nosso corpo. Essa versão não menciona a ação divina, mas é tão compatível com o texto sagrado quanto as mencionadas nos parágrafos anteriores, e com tantas quantas a inventividade humana possa criar. Para quem crê, o Deus que transparece por trás dela faz-se muito maior, mais poderoso, do que um simples oleiro esculpidor de bonecos de barro, sem desprezar a dignidade de que se reveste esse ofício. No mais, sem a versão científica, seriam impensáveis a medicina moderna e os conhecimentos sobre as funcionalidade do corpo humano, com seus insondáveis benefícios que elevam a cada dia a qualidade de vida de todos nós a patamares sempre surpreendentes. Sem dúvida, por trás disso tudo tem que ter o dedo, ou o sopro, de Deus. Quem tem olhos para ver veja.
Mas a versão bíblica, a mais simples, que tão pouco informa sobre a funcionalidade do corpo, do mundo e do universo, é que nos ensina sobre o mais importante, o mais vital, muito maior do que todas as ciências juntas possam alcançar: Deus fez. Fico com essa.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Mais que MÃE: Mulher

Compartilho com as mulheres-mães dois poemas bíblicos que não tratam da maternidade especificamente. Versão em trova de José Assan Alaby.

O primeiro encontra-se no capítulo 31 de Provérbios e trata da
mulher virtuosa.


Além de educar, a mulher virtuosa negocia: Examina, pra comprar / propriedade, com dinheiro / – fruto só do seu labor –, / plantar, nela, uma vinha, / uvas de muito valor... / Ela faz cintos e roupas / – coisa pra ser revendida. Faz política: Pobres e necessitados, / ela ajuda com carinho. / Contra o frio, são amparados . É inteligente: Fala com sabedoria, / fala com delicadeza.

O segundo poema bíblico, nos capítulos quatro e cinco de Cântico dos Cânticos, trata da mulher amante:


Provérbios alerta: Formosura é ilusão, pois pode ser reduzida a simples mercadoria e lançar quem a possui nas situações mais degradantes. Então, conclui: mulher que teme a Deus é bem dita por Deus-Pai.

 E os Cânticos exaltam quão digna pode esta também ser como amante. 
Juntam-se as duas e se obtém tudo o que precisa para ser MÃE, e muito mais.