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Porventura, creu nele alguém dentre as autoridades ou algum dos fariseus?
Quanto a essa plebe, que nada sabe da lei, é maldita... (João 7.48-49)

quinta-feira, 13 de junho de 2019

Primeiro, a ruim.

Na última postagem, mencionamos uma boa notícia de há vinte séculos. Para maior compreensão de seu significado, foi indispensável contar antes uma ruim. De certo modo, explica porque seria recebida na época como uma BOA nova. Se fosse para hoje, seria ainda melhor. Pelas mesmas razões, uma ruim primeiro.
Infelizmente, nestes dias, só nos assaltam mesmo notícias ruins. Todas as previsões são muito pessimistas, para o caso de não acontecer uma mudança tão ou mais radical do que aquela de há vinte séculos.
Para simplificar, e nos limitar ao mais dramático, vamos supor que neste mundo só existam três pessoas: Moe, Larry e Curly. Moe produz e vende, Larry compra e Curly provê o dinheiro de que precisam, na forma de investimento ou empréstimo, em troca de uma compensação chamada lucro ou juros. Moe o paga com o resultado de suas vendas; Larry paga as compras e os juros com seu trabalho.
Acontece que Moe e Larry nunca conseguiram saldar totalmente seus débitos com Curly, de modo que este passou a emprestar-lhe não apenas para custear suas produção e compras, mas também os juros que já lhe deviam (juros sobre juros). Para reverter a situação seria necessário aumentar a produção e diminuir os custos, inclusive com a redução dos trabalhadores ou de seus salários que, paradoxalmente, deveriam aumentar para poder absorver as mercadorias produzidas a mais. Como a coisa continuou piorando, chegamos ao ponto em que a dívida global em 2016 chegaria ao absurdo de 225% do que é produzido em todo o mundo. Isto é, se Moe e Larry parassem de produzir e de trabalhar, entregassem tudo a Curly, ficariam sem mais nada e ainda continuariam lhe devendo mais um tanto e um quarto. Sem mencionar os recursos naturais a serem empregados, dos quais o planeta, para dizer toda a verdade, já nem mais dispõe.
Moe, Larry e Curly sabem muito bem da catástrofe que nos aguarda a todos; entretanto, os três patetas estão brigando mesmo é para garantir na marra cada qual para si o que possa sobrar.
Mas uma boa, agora NOVA para hoje, paira no ar. A seguir.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Agora, A BOA


Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador de vocês
- o Messias, o Senhor!

Lucas 2.11
Foi durante os tempos conturbados resumidos na última postagem que, entre os cristãos:
Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas,
mas todos repartiam uns com os outros tudo o que tinham.

Atos 4:32
Como também verificamos anteriormente, esta prática não somente sobreviveu por no mínimo dois séculos, mas estendeu-se igualmente pelo menos até o norte da Africa. Muito diferente da versão amplamente aceita de que tenha se circunscrito à igreja de Jerusalém, enquanto os crentes aguardavam a muito próxima volta do mestre, até que os suprimentos acabaram e tiveram que voltar a trabalhar ou contar com as ofertas recolhidas pelo apóstolo Paulo.
Transparece também dos testemunhos examinados que essas comunidades, compartilhando seus bens, gozavam de certa fartura. E não é de se estranhar que pessoas, ricas e pobres, adotando o Sermão do Monte como sua nova Lei, tenham chegado a tais resultados, embora não sem dificuldades.
Nelas, vivia-se as palavras de Tiago:
O irmão que é pobre deve, bem contente já ficar
quando o Eterno Deus Senhor faz sua vida melhorar;...
e o rico deve, sim, assim mesmo já ficar
quando o Eterno Deus Senhor faz sua vida piorar.

Tiago 1.9-10
A proclamação do anjo transcrita no início esclarece a declaração do Salvador quando Zaqueu resolveu dar a metade de seus bens aos pobres:
- Hoje a salvação entrou nesta casa.
Lucas 19.9
Mas não acabou. Proximamente, uma melhor.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Qual é a boa?

Primeiro a ruim. Os primeiros séculos da era cristã coincidiram com o início da queda do Império Romano. A ordem interna, bem como a defesa das fronteiras ameaçadas consumiam recursos cada vez mais vultosos que provinham dos povos dominados, de modo que a vida não era nada fácil nem mesmo para os ricos que viviam nesses territórios. Praticamente tudo que estes produziam era arrecadado pelo estado, através de inúmeros e pesados impostos, quando não pela simples usurpação violenta. O endividamento era uma consequência inevitável, com juros que tornava os débitos simplesmente impagáveis.
Os pobres eram constituídos basicamente por multidões de escravos famintos cujos senhores não conseguiam mais sustentá-los e que perambulavam pelas grandes cidades. Multiplicavam-se as revoltas, que eram reprimidas sem piedade.
Foi portanto quando o anjo proclamou aos pastores de Judá:
- Não tenham medo!
Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês!

Lucas 2.10
O povo judeu, que gozara de ampla autonomia por alguns séculos, desde a volta do exílio na Babilônia, sob o domínio do Império Persa, que sobrevivera com alguma dificuldade sob o Grego, ia no mesmo caminho sob o Romano, até que não mais aguentou e revoltou-se no início dos anos sessenta, Século I de nossa era. A repressão pegou particularmente pesado desta vez, morreriam mais de um milhão de judeus, o Templo acabaria sendo destruído em 70dC e a nação hebraica aniquilada em 135.
Mas, qual é a boa? Fica para a próxima.

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Tudo em comum

As passagens de Atos que transcrevemos na última postagem datam do final do século primeiro.
Em meados do segundo, Luciano de Samósata, historiador não cristão, numa descrição crítica daquela prática, assim se referiu aos cristãos:
Desde que mudaram de culto, renunciaram aos deuses gregos e adoram o sofista crucificado de quem seguem as leis. Desprezam igualmente todos os bens e poem-nos em comum, pela fé completa que têm nas suas palavras.”
No final do mesmo século, foi Tertuliano que testemunhou:
...somos irmãos na nossa propriedade familiar com a qual a maior parte das vezes se dissolve a irmandade. Nós, portanto, que estamos unidos de alma e espírito, não temos dúvidas em ter bens em comum...”
Curiosa é uma carta de Mensurius, bispo de Cartago, a Secundus, bispo de Tigrisi, durante a perseguição sob Diocleciano, já no início do quarto século, em que declara ter proibido que alguém fosse homenageado como mártir que se entregara por vontade própria. Diz ele:
alguns deles eram criminosos e devedores do Estado, que achavam que poderiam, com isso, se livrar de uma vida onerosa, ou então apagar a lembrança de seus delitos, ou pelo menos ganhar dinheiro e gozar na prisão os luxos supridos pela bondade dos cristãos.”
Foi no final deste mesmo quarto século, quando a Igreja já gozava das benevolências do Império Romano, que coube a São João Crisóstomo lamentar:
Ah! Por que é que se terão perdido estas tradições? Ricos e pobres poderiam todos tirar proveito destes costumes piedosos e uns aos outros sentiríamos o mesmo prazer em nos conformarmos com eles...”
Vamos refletir sobre isso? Na próxima.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

Frutos do arrependimento/Espírito

João Batista dizia aos judeus que o procuravam para serem batizados:
Façam coisas que mostrem que
vocês se arrependeram dos seus pecados.

Lucas 3.8
E esta foi a mensagem que Paulo declarou anunciar primeiro em Damasco e depois em Jerusalém, em toda a região da Judéia e entre os não-judeus:
Eu dizia a todos que eles precisavam abandonar os seus pecados,
voltar para Deus e fazer coisas que
mostrassem que estavam, de fato, arrependidos.

Atos 26.20
Podemos iniciar a reflexão crítica sobre nossa prática cristã, referida na última postagem, examinando como os primeiros convertidos demonstravam que estavam arrependidos de fato? Por exemplo, os quase três mil que se converteram já no dia de Pentecostes:
Todos os que criam estavam juntos e unidos
e repartiam uns com os outros o que tinham.
Vendiam as suas propriedades e outras coisas
e dividiam o dinheiro com todos,
de acordo com a necessidade de cada um.

Atos 2.44-46
Ou os cinco mil que aceitaram a mensagem de Pedro após a cura de um aleijado no templo:
Ninguém dizia que as coisas que possuía eram somente suas,
mas todos repartiam uns com os outros tudo o que tinham…
Não havia entre eles nenhum necessitado, pois todos os que tinham terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro e o entregavam aos apóstolos.
E cada pessoa recebia uma parte, de acordo com a sua necessidade.
Atos 4:32-35
Esta prática perdurou por no mínimo dois séculos: na próxima postagem.